CAMINHADA!

    Cornélio Almeida Neto

    Cornélio Almeida Neto

    Psicologia
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    25 de maio de 20263 min de leitura
    CAMINHADA!

    Neste fim de semana, estivemos reunidos entre amigos na unidade campestre da Nova Acrópole. Tínhamos como propósito percorrer uma trilha já conhecida pela maioria dos presentes. Logo no início da caminhada, foi lançada uma proposta significativa: evitar algazarras, fazer o mínimo de barulho possível e seguir em silêncio, cultivando maior atenção e vigilância sobre nós mesmos, sobre o companheiro ao lado e sobre todo o entorno.

    É algo profundamente valioso quando, mesmo conhecendo o caminho, buscamos ampliar a observação interior e refinar a sensibilidade exterior.

    O farfalhar das folhas sob os calçados, o canto dos pássaros, o zumbido das abelhas, maribondos e outros insetos puderam ser percebidos com mais nitidez. As borboletas, em seus voos curtos e delicados, pareciam desenhar o ar. Em alguns instantes surgiu aquela sensação rara de integração: consigo mesmo, com o cenário ao redor e com a própria Vida.

    Na primeira parada, ouvimos sobre o mito de Édipo; na segunda, sobre Sekhmet; e, na terceira, iniciamos os preparativos para a nossa “refeição” anual. A pederneira ajudou a acender o fogo. O crepitar das labaredas consumindo os gravetos recolhidos no local, o rio correndo à nossa frente com o som contínuo de suas águas e a presença silenciosa dos amigos compunham um cenário singular. Pisávamos a terra, respirávamos o ar, aquecíamos os alimentos no fogo e limpávamos os utensílios na água. Por alguns instantes, os quatro elementos pareciam reunidos diante de nós.

    Permanecer grande parte do trajeto em silêncio contribuiu para uma harmonização mais profunda consigo mesmo, desde que aprendamos também a silenciar as sensações excessivas, as emoções desordenadas e os pensamentos incessantes. Porque silêncio não é ausência. Silêncio é espaço.

    Que tal na semana em curso, cultivarmos com mais fidelidade alguns tipos de silêncio? O silêncio físico: diminuindo os ruídos exteriores, o excesso de sons, as conversas sem sentido, a necessidade constante de preencher todos os espaços. O silêncio emocional: evitando reagir a tudo, alimentando menos dramas, fofocas, discussões inúteis e notícias que apenas despertam raiva e perturbação. O silêncio mental: aprendendo a acalmar a “rádio interior” que insiste em tocar sem descanso, listas intermináveis, autocríticas, diálogos imaginários, preocupações futuras e recordações repetitivas.

    Somente no silêncio começamos a escutar o que verdadeiramente buscamos, e não apenas aquilo que os outros esperam de nós. Quando aprendemos a habitar o presente, em vez de viver presos ao passado ou ansiosos pelo futuro, nossa presença deixa de ser dispersa. E aquilo que somos começa, pouco a pouco, a tornar-se uma realidade viva e perceptível.

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    Sobre o autor

    Cornélio Almeida Neto

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    Psicologia
    CRP-DF 5693

    Psicólogo Clínico

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