CAOS!

    Cornélio Almeida Neto

    Cornélio Almeida Neto

    Psicologia
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    22 de abril de 20263 min de leitura
    CAOS!

    Nessas conversas acaloradas, que vez ou outra, ouvimos pelos caminhos da vida, somos surpreendidos pelo teor dos desabafos. Às vezes há algo verdadeiro no que se diz ainda que a forma venha áspera, sem cordialidade ou elegância.

    Chegava a um restaurante e, ainda na fila para servir a comida, todos ouviam a conversa de quatro amigos que haviam saído para almoçarem juntos. Pareciam reencontrarem-se depois de longo tempo: abraços sinceros e trocas gentis anunciavam boa convivência. Mas, logo em seguida, vieram os “desabafos.” Um deles comentou: Estamos assim porque, desde que o Hino Nacional foi criado, esse “berço esplêndido” nos embala demais. Vamos deixando tudo acontecer. O brasileiro tem boa índole, a miscigenação muito nos favoreceu nesse sentido, e ainda fazemos piada de tudo. Outro respondeu em tom mais debochado: Por esse mesmo berço, mais de noventa milhões são ninados por programas de governo em diferentes ciclos legislativos e não conseguem se levantar. Mas, a cada quatro anos, são chamados para votar. O terceiro, batendo no próprio bolso, acrescentou: Pagamos caro, muito caro, para manter os Três Poderes. E o que retorna à população é de qualidade duvidosa, cheio de conchavos, articulações, propinas e distante da justiça, da verdade, da unidade e do respeito à Nação Brasileira. O quarto refletiu e disse: Por falar em justiça, parece que ela deixou de existir. Temos leis para tudo. Daqui a pouco nos proíbem de falar, e conforme o que dissermos, poderemos ser processados ou presos . Espalha-se o medo e se tolhe cada vez mais a já pisoteada liberdade. Por fim, já na fila do pagamento, uma senhora alheia ao grupo comentava indignada, algo que acabara de ouvir: Mais de uma centena de voos da FAB realizados com uma única pessoa a bordo… que desrespeito dessas “autoridades”!

    Diante daquele cenário, pensei um pouco na visão grega e no que cada um expressava. Em cada fala havia uma verdade particular, construída conforme crenças, experiências e modos de ver o mundo. Para os gregos, Caos, Theos e Cosmos representavam princípios fundamentais da existência. Caos é o vazio primordial, o estado inicial de desordem e potencialidade, onde tudo se encontra informe e sem estrutura. Theos é o divino, a inteligência ou força capaz de trazer ordem ao caos. Cosmos é o universo organizado, harmônico e belo, a ordem viva nascida do aparente desarranjo.

    Que a semana em curso nos permita contemplar o esforço silencioso da Natureza para gerar o Cosmos e colocar nele o ser humano como seu reflexo, um verdadeiro microcosmo. Em cada pessoa reside a medida e muitas respostas para a vida, desde que aprenda a organizar o corpo, a psique e a mente. Quando há ordem interior, torna-se possível compreender melhor as expressões da existência, buscar valores duradouros, encontrar sentido e dar às dimensões ética e moral o mesmo peso que tantas vezes damos às notícias de corrupção, desvio, medo, angústia, doenças e desespero, tão comuns por onde andamos.

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    Cornélio Almeida Neto

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    CRP-DF 5693

    Psicólogo Clínico

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