DOENÇA!

    Cornélio Almeida Neto

    Cornélio Almeida Neto

    Psicologia
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    13 de julho de 20264 min de leitura
    DOENÇA!

    Estava conversando com alguns parentes sobre os mais diversos assuntos. Alguns deles eu não via havia décadas. A alegria do reencontro trouxe lembranças, saudades e histórias que pareciam adormecidas pelo tempo.

    Entre tantos temas, um acabou ocupando naturalmente o centro das conversas: a doença. A maioria já ultrapassou os sessenta anos e percebe que o corpo já não responde com a mesma prontidão de outros tempos. As limitações tornam-se mais evidentes e, muitas vezes, a vida passa a girar em torno delas.

    Quase todos desejamos não sentir dor. Entretanto, olhando por outro ângulo, que maravilha ela existir! A dor é um dos mais sábios avisos da natureza, indicando que algo pede atenção e cuidado. Quando ela surge, procuramos um profissional da saúde. Cada especialista, naturalmente, busca compreender o problema sob a perspectiva da área em que se dedicou durante tantos anos. É assim que a ciência avança. Contudo, recordamos, com carinho, de um médico conhecido apenas como Dr. Sombra.

    Curiosamente, ninguém se lembrava de seu verdadeiro nome. Foi um dos médicos mais vocacionados que muitos de nós tivemos a felicidade de conhecer. Não via os pacientes como um peso, mas como uma oportunidade de servir. Escutava antes de prescrever. Olhava antes de diagnosticar. Via, antes de tudo, um ser humano. Talvez fosse justamente essa postura que inspirasse tanta confiança.

    Pensei então na doença. Muitas vezes ela é o corpo manifestando aquilo que a mente e o coração silenciaram por longo tempo. Nem toda doença nasce das emoções, mas sabemos, hoje, que inúmeros sofrimentos físicos são profundamente influenciados pela maneira como vivemos, sentimos e pensamos.

    O corpo é extraordinariamente honesto. Ele não inventa. Ele manifesta. Emoções reprimidas, quando permanecem por muito tempo sem compreensão, podem transformar-se em tensões, fadiga, alterações do sono, dores persistentes e tantos outros sinais que pedem escuta. Por isso, talvez seja importante aprender a nomear aquilo que sentimos. “Estou com medo." "Estou triste." "Estou chateado."

    Quando reconhecemos uma emoção, deixamos de lutar contra uma sombra invisível e começamos a iluminá-la. O que é acolhido tende a perder parte de seu domínio; o que permanece escondido costuma buscar outras formas de se expressar. As emoções são semelhantes à água. Quando fluem, irrigam a vida. Quando ficam represadas, tornam-se pesadas e turvas.

    Também a mente merece cuidado. Ela é como um rádio que permanece ligado durante todo o dia. Se sintonizamos continuamente o medo, a preocupação e as notícias que alimentam insegurança, vaidade e orgulho, o corpo acaba respondendo à música que a mente escolheu tocar. Vale perguntar, de tempos em tempos: "Isso é um fato ou apenas uma história que estou construindo?" No silêncio, muitas vezes escutamos aquilo que o excesso de ruído procurava esconder. Outra pergunta igualmente interessante talvez seja: "Por que isso aconteceu comigo? "O que esta experiência deseja ensinar-me?" Essa simples mudança desloca-nos da posição de vítimas para a condição de aprendizes.

    Os antigos gregos não separavam corpo, emoção e mente como compartimentos isolados. Compreendiam o ser humano como uma unidade viva, animada pelo thymós, o sopro vital que impulsiona a coragem, a sensibilidade e a própria existência. Quando essa harmonia se rompe, surge o sofrimento. Quando ela é restabelecida, a saúde encontra novamente espaço para florescer.

    Que na semana em curso, possamos olhar para o nosso corpo não apenas como um conjunto de órgãos, músculos e ossos, mas como o instrumento precioso através do qual a Vida se manifesta. Ele poderá sentir dores, atravessar limitações e enfrentar enfermidades. Ainda assim, que a consciência permaneça serena, conduzindo-o com sabedoria, dignidade e esperança. Porque a saúde não consiste apenas na ausência da dor/doença. É, sobretudo, a presença de harmonia entre o corpo, a mente, o coração e a alma.

    Afetuoso abraço, Cornélio

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    CRP-DF 5693

    Psicólogo Clínico

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