INTROSPECÇÃO!

    Cornélio Almeida Neto

    Cornélio Almeida Neto

    Psicologia
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    30 de junho de 20263 min de leitura
    INTROSPECÇÃO!

    Estava assistindo a um curso do professor Luis Carlos Marques, da Nova Acrópole, Escola de Filosofia, com quem tenho a honrosa e grata satisfação de conviver há quase quatro décadas. O tema, ao mesmo tempo simples e profundamente sugestivo, era: "Como pensar por si mesmo." Me fez refletir um pouco mais.

    Vivemos em um período histórico em que quase todos acreditamos pensar por conta própria. Tomamos decisões convencidos de que sabemos exatamente o que estamos fazendo e, não raro, pouco tempo depois, sobrevém a culpa, o arrependimento. Já quase não dialogamos; discutimos. E, quando o outro silencia, muitas vezes por cortesia e não por convencimento, imaginamos que vencemos a discussão. Ao que parece, pensamos muito menos do que imaginamos. Em muitos momentos, somos pensados.

    Com o advento da IA então, boa parte entre nós, tornamo-nos “eloquentes” e “aprofundamos” nas pesquisas sobre quaisquer assuntos e as respostas em segundos, estão prontas, na “palma da mão” mais do que nas conexões cerebrais. Pensei um pouco a respeito da INTROSPECÇÃO, que significa desenvolvermos uma melhor observação de nós mesmos por dentro, aprendendo a gostar do que somos agora e crescermos um pouco a cada dia.

    À medida que desenvolvemos uma observação mais objetiva, simples e coerente, despida de máscaras e fantasias, começamos a olhar para o espelho da consciência e a perceber aquilo que ele realmente reflete. Esse já é um passo significativo em direção à introspecção.

    No cotidiano, podemos exercitá-la de maneira simples e prática. No corpo, observando sem a ansiedade de mudar imediatamente, apenas registrando o que ele nos comunica: o pescoço que se enrijece, a coluna que reclama após um movimento brusco, o estômago que se contrai diante de uma notícia inesperada. Quando aprendemos a ouvir o corpo, brigamos menos com a vida. Nas emoções, procurando nomeá-las antes que elas conduzam nossas atitudes. O que realmente estou sentindo? Raiva? Medo? Tristeza? Inveja? Carência? Vitimismo? Arrogância? Quando reconhecemos um padrão que nos acompanha há muitos anos, ele começa, lentamente, a perder a força. E, grão em grão, vamos amadurecendo. Na mente, aprendendo a observar os pensamentos sem nos identificarmos imediatamente com eles. É como permanecer na varanda observando o trânsito passar. Em vez de afirmar: "Sou um fracasso", talvez possamos dizer: "Percebi que passou por mim um pensamento de fracasso." Não somos, necessariamente, aquilo que pensamos. Então, vale perguntar com serenidade: "De onde veio esse pensamento?" "É realmente meu?" "Foi aprendido na infância, na escola, na família, com amigos, no trabalho, nas redes sociais?"

    Grande parte do chamado "lixo mental" não passa de antigas figurinhas repetidas que fomos colecionando ao longo da vida.

    A introspecção exige um pequeno espaço diário de silêncio. Alguns minutos sem telas, sem música, sem distrações e, sobretudo, sem a necessidade constante de responder ao mundo. Mesmo rodeados de pessoas, podemos aprender a permanecer por alguns instantes apenas conosco. É nesse silêncio que o pensamento ganha direção, as emoções encontram equilíbrio e a consciência começa a iluminar aquilo que observa.

    Que a semana em curso, nos permita desenvolver uma perspectiva mais profunda sobre a introspecção. Sabendo que cada pessoa percorre um caminho singular, próprio da vida que lhe coube viver. Todos podemos ampliar os horizontes da reflexão, encontrarmos respostas mais autênticas e deixar de viver apenas com automatismos. A introspecção não nos afasta do mundo. Ela apenas nos aproxima de quem verdadeiramente somos.

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    Cornélio Almeida Neto

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    CRP-DF 5693

    Psicólogo Clínico

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