LIMPEZA!

Cornélio Almeida Neto

Estava reunido com um grupo de amigos na unidade campestre da Nova Acrópole. Tínhamos como propósito, nas primeiras horas da manhã, verificar uma pequena trilha onde, após o período das chuvas, as árvores haviam expandido seus galhos e as folhas começavam a cair com mais intensidade. Conseguimos lograr bom êxito no que nos propusemos: podamos alguns trechos e retiramos folhas que encobriam o caminho. Mais tarde, ao trocar mensagens com familiares, comentaram que também estavam fazendo o descarte de algumas “coisinhas”. Achei curiosa a coincidência. Não tive outra alternativa senão pensar um pouco sobre a limpeza.
Nos planos mais básicos, físico e energético, a sujeira salta aos olhos. Mas, quando entramos nos campos psicológico e mental, a limpeza torna-se mais delicada e, muitas vezes, encontra maior resistência. Observe, por exemplo, quando alguém ouve que sua forma de pensar talvez não seja adequada, ou que determinadas vibrações emocionais permanecem muito densas ou rasteiras. Logo surgem respostas conhecidas: “Esse é o meu jeito, fui sempre assim.” “Da minha vida cuido eu.” “Penso e sinto da forma que acho melhor.” “Eu não sou perfeito, ninguém é perfeito…” São frases que já ouvimos muitas vezes pelos caminhos da vida.
A limpeza possui uma função profundamente importante: permitir que venha à tona aquilo que verdadeiramente É. Se o copo está sujo, não é prudente colocar nele água limpa.
Quantas vezes adiamos o descarte de algo, acreditando que um dia ainda será útil? E, quando não limpamos, ou limpamos apenas superficialmente, pequenas crostas começam a se formar. Com o tempo, escondem a verdadeira forma dos objetos e também obscurecem as relações humanas. Atualmente, conviver bem, parece por vezes, coisa de outra dimensão.
Como seria belo se conseguíssemos evitar varrer para debaixo do tapete os medos, os ciúmes, as angústias, as raivas, os traumas, as mágoas e as maledicências! Quando limpamos, abrimos espaço. Quando purificamos, algo começa a reluzir. E aquilo que antes era apenas carvão pode, pouco a pouco, transformar-se em diamante, capaz de permitir a passagem da luz. Talvez por isso o diamante seja tão valorizado.
Que na semana em curso, aprendamos a descartar não apenas objetos inservíveis, mas também emoções desgastadas e pensamentos nocivos, para que possamos nos tornar semelhantes a esse diamante lapidado. Aprendamos também a filtrar os ruídos mentais: crenças limitantes, excessos de informação, pensamentos repetitivos e vozes interiores que, muitas vezes, já nem são verdadeiramente nossas. Não somos aquilo que pensamos. Mas, se não aprendermos a limpar a mente, tornamo-nos reféns dela.
A limpeza física oferece base. A energética, leveza. A psicológica, liberdade. A mental, clareza. E, sem retirar o velho lixo acumulado, dificilmente o novo encontrará espaço para entrar.
Que o nosso relógio conte somente horas puras e felizes.
Sobre o autor

Cornélio Almeida Neto
Psicólogo Clínico
