RÁPIDO!

    Cornélio Almeida Neto

    Cornélio Almeida Neto

    Psicologia
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    31 de agosto de 20263 min de leitura
    RÁPIDO!

    Entre amigos, conversávamos sobre carros e meios de transporte de um modo geral. A certa altura, um deles comentou que gostava de velocidade. Falou da adrenalina, do prazer de chegar primeiro, de subir ao pódio e conquistar o troféu. Outro dizia preferir apreciar a paisagem, mantendo uma velocidade moderada, respeitando os limites da estrada e desfrutando com tranquilidade o percurso. O terceiro procurava conciliar as duas coisas: velocidade e contemplação. Gostava também dos momentos de parada, de verificar o motor, os lubrificantes, os pequenos ruídos e tudo aquilo que pudesse indicar como estava funcionando a máquina. Considerava o veículo quase como uma extensão de si mesmo.

    Ao ouvir aquelas diferentes maneiras de compreender a velocidade, a pausa e o caminho, pensei que tudo na Vida possui um ritmo. E me detive um pouco sobre a palavra, rápido.

    Vivemos em um tempo que parece ter transformado a rapidez em virtude. Queremos respostas imediatas, resultados instantâneos, caminhos mais curtos e soluções que exijam o mínimo de espera. Mas, antes de agir, talvez seja prudente perguntar: Estou apenas sendo rápido ou estou sendo verdadeiramente eficiente?

    Em muitas atividades simples, o automatismo pode até ser útil. O problema surge quando ele invade também o pensamento e passa a substituir a reflexão nas decisões importantes. O desejo de concluir logo, responder imediatamente ou fazer de qualquer maneira costuma cobrar um preço oculto: o retrabalho, tão comum no ciclo histórico que atravessamos.

    Aquilo que poderia ser realizado com alguns minutos de atenção e planejamento termina exigindo horas de correções, justificativas e novos esforços. Corremos para terminar e, paradoxalmente, perdemos ainda mais tempo, retornando ao ponto de partida.

    Na filosofia, aprendemos que uma ação consciente deveria nascer da harmonia entre vontade, amor e inteligência. A rapidez sem discernimento transforma-se em precipitação. A lentidão excessiva pode converter-se em inércia. Entre ambas existe o ritmo justo: pensar o necessário, decidir com clareza e agir no momento oportuno. Talvez o conhecimento não esteja em acelerar ou frear continuamente, mas em reconhecer a velocidade que cada trecho da estrada exige. Há momentos de avançar. Há momentos de reduzir. Há momentos de parar, verificar o motor e escutar os pequenos ruídos. E há momentos em que precisamos simplesmente contemplar a paisagem para recordar por que estamos viajando.

    Que na semana em curso, façamos um pequeno exercício: antes de iniciar uma tarefa, por mais simples que seja, dediquemos alguns instantes a compreender o objetivo, escolher o melhor método e considerar suas possíveis consequências. Poucos minutos de reflexão podem evitar muitas horas de retrabalho. Que sejamos céleres nas mãos, mas serenos na mente; diligentes na ação, mas prudentes no julgamento. Chegar primeiro nem sempre significa chegar melhor. E a verdadeira eficiência talvez não esteja em fazer tudo depressa, mas em fazer cada coisa no seu tempo, com presença, atenção e na medida justa.

    Afetuoso abraço, Cornélio

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    Sobre o autor

    Cornélio Almeida Neto

    Cornélio Almeida Neto

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    CRP-DF 5693

    Psicólogo Clínico

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