RENOVAR!

Cornélio Almeida Neto

Entre amigos, conversávamos sobre assuntos diversos: política, Copa do Mundo, família, relacionamentos, arte, justiça... um pouco de cada coisa. Em determinado momento, um deles interrompeu a conversa e perguntou: Que tal uma renovação?
Em seguida, começou a sugerir pequenas mudanças, algumas simples, outras mais profundas. Aquela palavra ficou ecoando em mim, e passei a refletir sobre o significado de renovar. Renovar vem do latim renovare: re, "novamente", e novus, "novo". É tornar novo outra vez.
Entretanto, parece existir em nós uma forte tendência a permanecer presos às formas que construímos ao longo da caminhada. Habituamo-nos às ideias, aos costumes, às opiniões e até aos próprios defeitos. Muitos chegam a afirmar, quase com orgulho: "Eu sou assim e pronto." Esperamos que o mundo se ajuste à nossa maneira de ser, quando talvez seja justamente essa maneira que necessite ser renovada.
Desde o instante em que nos manifestamos ao mundo através da personalidade que hoje possuímos, quantas transformações já ocorreram em nosso corpo? Cada célula se renova, os alimentos que ingerimos se transformam, a própria Natureza nos ensina, em silêncio, que viver é um contínuo movimento de renovação.
Por que, então, temos tanta dificuldade em renovar os sentimentos, as ideias e a forma de olhar a vida?
Ao observarmos o corpo humano, percebemos que nele quase nada é estático. Tudo pulsa, circula, respira e se transforma. E, no entanto, tantas vezes nos endurecemos por dentro, cristalizando mágoas, medos, opiniões e velhos hábitos.
Talvez renovar, hoje, não signifique fazer mais coisas, mas fazer as mesmas coisas com mais consciência. Tornar os atos mais limpos, os pensamentos mais claros, os sentimentos mais verdadeiros e a presença mais completa.
Que tal, na semana em curso, renovarmos essas formas que o tempo já desgastou? Abrirmos espaço em nosso interior para que a alma, que não envelhece, porque participa da própria Vida, possa manifestar-se com mais liberdade? Que o nosso coração, mais do que a mente inquieta, seja o ponto de equilíbrio das nossas transformações e descubramos que renovar não é abandonar quem somos, mas retirar aquilo que já não nos permite Ser.
Sobre o autor

Cornélio Almeida Neto
Psicólogo Clínico
