RICO/POBRE!

    Cornélio Almeida Neto

    Cornélio Almeida Neto

    Psicologia
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    31 de agosto de 20263 min de leitura
    RICO/POBRE!

    Vi uma criança brincando com uma rosa caída ao chão, retirando, uma a uma, as suas pétalas. A cena trouxe à memória os jardins da cidade onde cresci, repletos de flores brancas, e alguns jovens que, em suas brincadeiras, arrancavam as pétalas repetindo: “bem-me-quer, mal-me-quer...” havia também certas crenças de que encontrar determinada flor ou número de pétalas poderia anunciar sorte, um presente inesperado ou algum acontecimento favorável naquele dia. Pequenas crenças de outros tempos...

    Na dinâmica do cotidiano, porém, continuamos ouvindo afirmações aparentemente simples: “Ele é rico!” “Ele é pobre!” Mas o que verdadeiramente significa ser rico ou pobre? Quem cursou o antigo curso Técnico de Contabilidade talvez se recorde do Livro Razão, do Livro Caixa, do Método das Partidas Dobradas e dos famosos balancetes, nos quais procurávamos compreender a origem de cada lançamento, seu destino e o valor de cada conta. Que interessante seria se, vez ou outra, fizéssemos também um balancete de nós mesmos?

    Vivemos em um tempo em que o crédito está na palma da mão, mas a educação para utilizá-lo nem sempre alcança níveis elevados. Nunca foi tão fácil comprar; talvez nunca tenha sido tão necessário aprender a discernir. A riqueza e a pobreza não começam somente na carteira. Passam também pela capacidade de diminuir certos desejos, desenvolver a atenção e compreender a diferença entre aquilo que queremos e aquilo de que verdadeiramente necessitamos. Há quem possua muito dinheiro e permaneça interiormente pobre, porque tudo o que recebe escorre como areia entre os dedos. E há quem disponha de recursos modestos e, ainda assim, revele certa riqueza, porque aprendeu a distinguir o necessário do supérfluo, o desejo passageiro daquilo que possui verdadeiro valor.

    O crédito é uma excelente ferramenta, mas um péssimo condutor da vida. Quando utilizado com prudência, pode abrir caminhos. Quando conduzido pela ansiedade, pela vaidade ou pela impulsividade, transforma-se em peso: compromete o futuro para satisfazer um desejo perene do presente.

    A educação financeira, não deveria ensinar apenas como ganhar, economizar ou investir dinheiro. Deveria também educar o caráter para dizer “não” quando o impulso grita “sim”; ensinar que nem tudo aquilo que podemos comprar precisamos possuir; e recordar que a liberdade vale mais do que muitas aquisições.

    Talvez, a pessoa verdadeiramente rica, não seja apenas aquela que acumula bens, mas aquela que aprende a controlar os próprios desejos. A maior fortuna não está no limite disponível do cartão, mas na capacidade de reconhecer os próprios limites; de preservar a serenidade, a dignidade e a paz; de olhar para o dinheiro, sem desprezá-lo nem idolatrá-lo, e perguntar com simplicidade: Quem está controlando quem?

    Que na semana em curso, possamos revisar nossa relação com o dinheiro e, por extensão, com os nossos desejos. Antes de perguntarmos “Posso comprar?”, seja prudente acrescentar outras perguntas: “Devo comprar?” “Tenho verdadeira necessidade disso?” “O que estou buscando satisfazer com esta aquisição?” Às vezes, a melhor resposta não aumenta imediatamente o patrimônio material, mas fortalece uma riqueza muito mais difícil de conquistar: o domínio sobre si mesmo, a liberdade de escolher conscientemente e a capacidade de não permitir que nossos insaciáveis desejos decidam por nós.

    Afetuoso abraço, Cornélio

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    Sobre o autor

    Cornélio Almeida Neto

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    CRP-DF 5693

    Psicólogo Clínico

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